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julho 15, 2009
Frase....

julho 14, 2009
POR VOCÊ

Gotinhas de madrepérola, por edson Marques

julho 12, 2009
Poema do Menino Jesus

Eu tive um sonho como uma fotografia:
Vi Jesus Cristo descer à Terra.
Ele veio pela encosta de um monte,
Mas era outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
A arrancar flores para deitar fora,
E a rir de modo a ouvir-se de longe.
Ele tinha fugido do céu.
Era nosso demais pra fingir-se
De Segunda pessoa da Trindade.
Um dia que Deus estava dormindo
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi até a caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro Ele fez com que ninguém soubesse que Ele tinha fugido;
Com o segundo Ele se criou eternamente humano e menino;
E com o terceiro Ele criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois Ele fugiu para o Sol
E desceu pelo primeiro raio que apanhou.
Hoje Ele vive na minha aldeia, comigo.
É uma criança bonita, de riso natural.
Limpa o nariz com o braço direito,
Chapinha nas poças d'água,
Colhe as flores, gosta delas, esquece.
Atira pedras aos burros,
Colhe as frutas nos pomares,
E foge a chorar e a gritar dos cães.
Só porque sabe que elas não gostam,
E toda gente acha graça,
Ele corre atrás das raparigas
Que levam as bilhas na cabeça
E levanta-lhes a saia.
=
A mim, Ele me ensinou tudo.
Ele me ensinou a olhar para as coisas.
Ele me aponta todas as cores que há nas flores
E me mostra como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.
=
Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro.
Vivemos juntos os dois
Com um acordo íntimo,
Como a mão direita e a esquerda.
Ao anoitecer nós brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa.
Graves, como convém a um Deus e a um poeta.
Como se cada pedra
Fosse todo o Universo
E fosse por isso um perigo muito grande
Deixá-la cair no chão.
=
Depois eu lhe conto histórias das coisas só dos homens.
E Ele sorri, porque tudo é incrível.
Ele ri dos reis e dos que não são reis.
E tem pena de ouvir falar das guerras
E dos comércios.
=
Depois Ele adormece e eu
O levo no colo para dentro da minha casa,
Deito-o na minha cama, despindo-o lentamente,
Como seguindo um ritual todo humano
E todo materno até Ele estar nu.
=
Ele dorme dentro da minha alma.
Às vezes Ele acorda de noite,
Brinca com meus sonhos.
Vira uns de perna pro ar,
Põe uns por cima dos outros,
E bate palmas, sozinho,
Sorrindo para os meus sonhos.
=
Quando eu morrer, Filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno,
Pega-me Tu ao colo,
Leva-me para dentro a Tua casa.
Deita-me na Tua cama.
Despe o meu ser, cansado e humano.
Conta-me histórias caso eu acorde
Para eu tornar a adormecer,
E dá-me sonhos Teus para eu brincar.
Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há-de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam ?
julho 11, 2009
A chuva chove, por Cecília Meireles
em certo paço, já sem data e já sem dono...
Véspera triste como a noite, que envenene a alma,
evocando coisas líricas de outono...
... Num velho paço, muito longe, em terra estranha,
com muitas névoa pelos ombros da montanha...
Paço de imensos corredores espectrais,
onde murmurem, velhos órgãos, árias mortas,
enquanto o vento, estrepitando pelas portas,
revira in-fólios, cancioneireiros e missais...
julho 10, 2009
Retrato, por Lu Barros

Recordações do que passou
De um tempo tão distante...
Só sentir.
O minuto indefinido.
Perdidas na peça da vida.
MEU CORAÇÃO
(Canção popular chilena)
Muito antes de transformar-se em palavra, construída pelo velho latim – cor – e o antigo grego – ker, kear, kardia -, meu coração já media seu ritmo pelo sangue e o símbolo, atravessando os séculos, como tenho o pressentimento – que os hispanos chamam de corazonada – de que ele sobreviverá a mim na lembrança de quem me ama. Nesse caminhar; sua personalidade se multifacetou em flor e lago, campo e mar, em montanha, ouro e pedra, em leão. Em passarinho, como na inspiração de Castro Alves: O coração é o colibri dourado / Das veigas puras do jardim do céu. / Um – tem o mel da granadilha agreste, / Bebe os perfumes que a bonina deu. / O outro – voa em mais virentes balças. / Pousa de um riso na rubente flor. / Vive do mel – a que se chama – crenças, / Vive do aroma – que se diz – amor.
Esse simbolismo se universalizou em canções e poemas em todos os idiomas, como se o sangue dos povos se misturasse e a linguagem cardíaca se amalgamasse indissoluvelmente. Assim, meu coração também é poliglota e eu posso ofertá-lo à humanidade sabendo que ela inteira me entenderá quando, sem precisar indicar seu lugar em meu peito, eu disser apenas: coração, corazón, heart, cuore, hjerte, sydän, herz, szird-is, hjärta, coeur, ssird, hjerte, cord, kardia, hrid, crudize, ssirds, hearte, hairto... e todas as palavras que ainda não aprendi a dizer, mas que posso sentir plenamente, pois como aconteceu com Maiakovski. Comigo a anatomia enlouqueceu. / sou todo coração!
Por tudo isso, meu coração é universal como uma sinfonia, uma escultura ou uma tela, que pode encantar ou ferir, inspirar ou entristecer; exaltar ou denunciar.
E paradoxalmente autêntico: território sagrado e profano; sábio – mais do que a mente, dizem, filosoficamente, os chineses – e ingênuo; ancestral e criança; caçador da paz, mas, se preciso, ferozmente disposto para a guerra; egoísta e magnânimo; fonte da minha vida e – quem sabe? – da de mais alguém; astucioso e franco; objeto do doar-se e ninho de acolher a amplidão, temeroso e temerário; espontaneamente falante e teimosamente calado; arrojado e tímido; eufórico e choroso; simbólico e visceralmente real; cofre de sangue e sonho.
E, embora planetário, o melhor é saber e sentir; como Werther, que meu coração, só eu o tenho. E quem não me compreende – que pena! É porque não tem coração.
Prof. Adjunto de Cardiologia da Universidade de Pernambuco - UPE.
O Abandono de cada um, por Socorro Capiberibe
Com a correria dos tempos modernos, em meio a tantos compromissos, atividades e informações, os desencontros tornam-se cada vez mais freqüentes entre os familiares, de tal forma que os parentes mais próximos ou os amigos mais íntimos sentem-se órfãos do carinho e da cumplicidade, e tornam-se às vezes pessoas solitárias, estranhas, individualistas, quase inacessíveis.Crescem os relacionamentos virtuais e enfraquecem os relacionamentos reais.
Aumentam as amizades ocasionais: da academia, do clube, do jogo, do inglês, do espanhol, dos cursos disso ou daquilo... e falta tempo para os amigos antigos, os amigos de sempre.
As salas de jogos e de bate-papo na Internet estão cada vez mais concorridas; as caixas-postais são cada vez mais lotadas de e-mails de novos e numerosos amigos; enquanto o diálogo entre os familiares e as conversas com os amigos mais íntimos ficam cada vez mais distantes e restritas aos aniversários e Natais da vida.
No final do programa, voltam para casa tão solitários quanto antes, sabendo cada vez menos da vida uns dos outros e pensando que ficaram juntos!!!
E mais...
Sem saber quando a família poderá estar toda reunida de novo para um outro fim de semana.
- Será que isso tem a ver com o número cada vez maior de pessoas nos consultórios buscando compartilhar sua solidão?
julho 05, 2009
Verso
Olhar
junho 19, 2009
Margaridas e ternuras

junho 17, 2009
Só um lembrete do Mário...
A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casaQuando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram-se 50 anos.
Agora é tarde demais para ser reprovado.
Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade,
Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho,
Desta forma, eu digo: não deixe de fazer algo que gosta devido à falta de tempo:
a única falta que terá, será desse tempo que infelizmente não voltará jamais"
Mário Quintana
junho 13, 2009
junho 04, 2009
Do Livro "O Pequeno Príncipe"

'Você é eternamente responsável por aquilo que cativas."
Que quer dizer "cativar"?- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
(...)
maio 31, 2009
Tudo Posso

Posso, tudo posso Naquele que me fortalece
Nada e ninguém no mundo vai me fazer desistir
Quero, tudo quero, sem medo entregar meus projetos
Deixar-me guiar nos caminhos que Deus desejou pra mim e ali estar
Vou perseguir tudo aquilo que Deus já escolheu pra mim
Vou persistir, e mesmo nas marcas daquela dor
Do que ficou, vou me lembrar
E realizar o sonho mais lindo que Deus sonhou
Em meu lugar estar na espera de um novo que vai chegar
Vou persistir, continuar a esperar e crer
E mesmo quando a visão se turva e o coração só chora
Mas na alma, há certeza da vitória
Posso, tudo posso Naquele que me fortalece
Nada e ninguém no mundo vai me fazer desistir
Vou perseguir tudo aquilo que Deus já escolheu pra mim
Vou persistir, e mesmo nas marcas daquela dor
Do que ficou, vou me lembrar
E realizar o sonho mais lindo que Deus sonhou
Em meu lugar estar na espera de um novo que vai chegar
Vou persistir, continuar a esperar e crer ...
Eu vou sofrendo, mas seguindo enquanto tantos não entendem
Vou cantando minha história, profetizando
Que eu posso, tudo posso... em Jesus!
maio 20, 2009
Saia e respire o ar mais puro que puder. Sinta o perfume da vida. Veja as árvores, o movimento. Observe o céu, penetre no azul. Veja um pássaro em pleno vôo, e voe com ele para onde quer que seja. Olhe nos olhos das pessoas que encontrar - no mesmo sentido. Os homens mais bonitos. As mulheres mais bonitas. As vitrines. Não: não aceite convite para um café. Nem para nada ? nada! Nem pense em convidar ninguém. Passe pelas pessoas como abelha passando por margaridas em flor. Ultrapasse-as. Siga em frente. Veja a criança que passou. Troque sorrisos. Ande como estivesse passeando.
Compre então a flor mais bonita, e uma garrafa de vinho do melhor. Volte calmamente para casa e deixe o mundo no portão. Tire a roupa toda e ande nua por uns tempos, como desfilasse no Olimpo. Se o vinho for branco, ou rosé, ponha-o para resfriar um tempo, na temperatura que você prefere. Deixe uma comidinha preparada, daquela que você mais gosta, simples. Pode ser omelete de rum, com um pouquinho de caviar ao lado, ou peixe de água doce cozido em vinho branco e suco de laranja. Pode ser fatias de presunto com melão, ou arroz soltinho com caldo de feijão; ou salada de tomate com manga e agrião; ou dois ovos fritos na manteiga de cabra e cobertos com folhas de manjericão - qualquer coisa... A comida não importa qual, desde que seja boa e feita de amor. Comida, como sempre, é apenas pretexto.
O importante é você.
Troque os lençóis, coloque aqueles mais bonitos e macios, deixe a cama arrumadinha, esperando. Borrife um pouco de perfume no seu quarto, olhe-se no espelho, de frente, de lado, de costas, de dentro - e respire fundo. Acenda na sala um incenso - com fósforo, porque tem cheiro de pólvora - talvez um Poem, indiano, e espete a varetinha numa laranja madura. Ponha aquela música de que você mais gosta. Uma vela comprida e azul no castiçal de bronze. Desligue o telefone e todas as campainhas que houver no teu mundo.
Livre-se de tudo o que for supérfluo.
Tome então um banho demorado, com teu sabonete preferido. Cante alto no banheiro. Quando terminar, passe as mãos pelo corpo, como fosse para tirar-lhe todas as gotas de água que houver, espécie pura de massagem carinhosa. Enxugue-se com a melhor toalha. Maquiagem leve, baton discreto, o melhor perfume, aquele que lhe traga as mais deliciosas lembranças. A calcinha de algodão. Vista uma roupa linda, fresca, leve, macia. Prepare-se como se fosse a uma festa no teu corpo, uma festa onde a tua alma vai hoje ser rainha. Descalça, como deusa sorridente ao sair de um labirinto.
Respire mais fundo...
O vinho, que já fora escolhido com amor, deve agora ser aberto com mais amor ainda. Se possível, uma taça de cristal tcheco. Se não tiver, serve uma dessas francesas, grande. Ou um simples copo, transparente, bem lavado. Sirva delicadamente. Sente-se. Levante o copo contra a luz. Sinta a temperatura do vinho, sua cor, o seu cheiro. Esmague o vinho com a língua no céu da tua boca, como se esmagasse um cacho de uvas maduras num vinhedo do sul em dia de sol de primavera. E sinta o sabor.
Nenhuma expectativa. Ninguém vai chegar. Você já cuidou para que ninguém chegue nos próximos dois mil anos.
A festa é para uma só pessoa.
Você tem agora todo o tempo do mundo. Porque, se você não tiver todo o tempo do mundo, não adianta. (Se você tiver pressa vá fazer outra coisa!) Então arrume a mesa como se fosse a própria Babette. Um prato, um talher, um guardanapo de linho. A flor que você trouxe, num vasinho de cristal - ou numa garrafa vazia de qualquer coisa, tanto faz. Mas é indispensável a flor ao lado da vela. Todas as outras luzes apagadas. Acenda outro incenso. Baixe o volume da música. Nenhuma chance de que possa haver interrupção dessa liturgia de amor. Nenhuma possibilidade de haver intervenção do horror. Toda a atmosfera envolve então o teu corpo - e o consagra. À alma, ao vinho, ao silêncio - à vida! Você está com a consciência à flor da pele: seria capaz até de ouvir uma mosca tossir.
O ar fresco que penetra pela janela e levanta um pouco a cortina. Um cachorro late lá na rua, na esquina. Você se lembra de certas coisas que estão longe, e de outras que estão perto. Pega o talher como pegasse um violino, começa a comer, sem pressa alguma. Sem barulho. Mastiga demoradamente, sente o gostinho real daquilo que logo fará parte do teu corpo, do teu sangue.
E bebe o vivo, também sem pressa, como estivesse deitada num altar católico, olhando você mesma no teto da Sistina.
E sorri.
Por dentro, um festival de gostosuras.
A vela está balançando as sombras vivas das coisas livres. Você fica à mesa o tempo que quiser. Quando se der por satisfeita, leva para o quarto o castiçal, a flor, o silêncio, a vida. E a garrafa com o vinho que sobrar. Deita-se do modo mais confortável. Nenhuma expectativa, só o coração pulsando de alegria. Tira a roupa devagar, passa óleo de amêndoas no teu corpo, respira fundo duas ou três vezes. As mãos, bailarinas que deslizam pelos seios, dançam o que há de melhor. Acariciam. Então você enfia a mão direita por dentro da calcinha, sente o monte de Vênus, a floresta de pêlos macios, desbrava essa incógnita que atende pelo nome de menina. Passa os dedos leves nos seus lábios úmidos de amor, espalha delícias por todos os pontos.
(O dedo médio pode ser o máximo!)
Olhos fechados, você vai coleando, movendo-se numa coreografia de cobra em êxtase. Caminha até o topo da pequena montanha. E vai se tocando como se música. Devagarzinho... Você vai se amar como nunca - como sempre. Tua mão esquerda desliza pelos seios, umbigo, garganta, clavícula, boca. E a música crescendo, de tal forma que se pode ouvir teu sangue correndo por sob a pele. Há um rio dentro agora de você - fluente.
E que logo vai transbordar.
De alegria.
De prazer...
De tesão.
Você então viverá o maior orgasmo da tua vida.
(...)
Com certeza, você viverá hoje o mais belo sonho possível nos braços abertos do Amor, antes de seguir - livremente - em direção ao infinito de todas as coisas.
Edson Marques.
No livro: Solidão à Mil.
maio 17, 2009
Homem de cor

Escrito por uma criança africana….
Quando eu nasci, eu era negro.
Quando você nasceu, você era rosa.
Quando eu cresci, eu ainda era negro.
Quando você cresceu, você ficou branco
Quando eu pego sol, eu fico negro.
Quando você pega sol, você fica vermelho.
Quando eu sinto frio, eu continuo negro.
Quando você sente frio, você fica azul.
Quando eu tenho medo, eu fico negro.
Quando você tem medo, você fica verde.
Quando eu adoeço, eu fico negro.
Quando você adoece, você fica amarelo.
Quando eu morrer, eu vou permanecer negro.
Quando você morrer, você vai ficar cinza.
E é você que me chama de Homem de cor?
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