Dezembro 01, 2009

Devaneio


Eu escrevo,
pelo dom de existir.
E, por viver, ter alma pra sentir.
Eu escrevo
não porque apenas sinto.
Mas pela mágica fogosa do instinto.
Eu escrevo,
não por força da magia.
Mas por ser, mais que poeta, poesia.
Kátia Drummond
The Travelling Poet

numa fotografia



Não sejas como a névoa, nem quimera.
Demora-te,
demora-te assim:
faz do olhar
tempo sem tempo,
espaço
limpo
– do deserto ou do mar.

EUGÊNIO DE ANDRADE

Outonos e primaveras...



Outonos e primaveras...
A arte das sementes de morrer em silêncio
Primavera é tempo de ressurreição.

A vida cumpre o ofício de florescer ao seu tempo.

O que hoje está revestido de cores precisou passar pelo silêncio das sombras.

A vida não é por acaso.

Ela é fruto do processo que a encaminha sem pressa e sem atropelos a um destino que não finda, porque é ciclo que a faz continuar em insondáveis movimentos de vida e morte.

O florido sobre a terra não é acontecimento sem precedências.

Antes da flor, a morte da semente, o suspiro dissonante de quem se desprende do que é para ser revestido de outras grandezas.

O que hoje vejo e reconheço belo é apenas uma parte do processo. O que eu não pude ver é o que sustenta a beleza.
A arte de morrer em silêncio é atributo que pertence às sementes.

A dureza do chão não permite que os nossos olhos alcancem o acontecimento.

Antes de ser flor, a primavera é chão escuro de sombras, vida se entregando ao dialético movimento de uma morte anunciada, cumprida em partes.
A primavera só pode ser o que é porque o outono a embalou em seus braços.

Outono é o tempo em que as sementes deitam sobre a terra seus destinos de fecundidade.

É o tempo em que à morte se entregam, esperançosas de ressurreição.

Outono é a maternidade das floradas, dos cantos das cigarras e dos assovios dos ventos.

Outono é a preparação das aquarelas, dos trabalhos silenciosos que não causam alardes, mas, que, mais tarde, serão fundamentais para o sustento da beleza que há de vir.
São as estações do tempo.

São as estações da vida.
Há em nossos dias uma infinidade de cenas que podemos reconhecer a partir da mística dos outonos e das primaveras.

Também nós cumprimos em nossa carne humana os mesmos destinos.

Destino de morrer em pequenas partes, mediante sacrifícios que nos fazem abraçar o silêncio das sombras...

Destino de florescer costurados em cores,

alçados por alegrias que nos caem do céu, quando menos esperadas, anunciando que, depois de outonos,

a vida sempre nos reserva primaveras...


Pe.Fábio de Melo

Novembro 25, 2009

"... Minha alma não é imaterial, ela é do mais delicado material de coisa. Ela é coisa, só não consigo consubstanciá-la em grossura visível.
Ah! Meu amor, as coisas da alma são muito delicadas. A gente pisa nelas com uma pata humana demais..."
(Clarice Linspector)

Sobre Ser...

Era tudo doce, feito o algodão da infância.

Era tudo tão intenso, tão pálido, pequeno, quente.

E o frio, não havia.

Não era um, eram dois, um dia quem sabe três, quatro, ou cinco com o cachorro.

Eram sorrisos, era poesia, música, fragância.

Era acordar num domingo de sol, abrir a janela e ver o mar.

Era sorvete de limão em um dia quente de não se acabar mais.

Eram filmes e mais filmes, e um edredon.

Pés em meia, mãos dadas, sorrisos.

Era amor, eram amor.

Sorriam.

Eram saudade, dessas de não caber no peito.

Era festa, quando se viam.

Eram dias nublados, que se ensolaravam com apenas um sorriso.

Era café quentinho, daquele de paçoca, na beira do rio.

Eram fotografias, retratos em preto e branco, e coloridos de alegria.

Era vontade, de inexistir, olhando o céu cair, sobre si, e não sentir.

Era não se importar, não se enraivecer.

Eram verdades ditas ao telefone, e abraços trocados depois.

Era o tudo e o nada, o talvez e o também.

Era o conforto, o carinho, de saber que se tem alguém, para dividir a vida.

Era uma vida inteira, pra dois [e depois três, quatro ou cinco com o cachorro].

Era a vontade, de ser.

E foram, não sei por quanto tempo.

Amor.

(LUA DURAND)

O Amor


Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção.

Pode ser a pessoa mais importante da sua vida.

Se os olhares se cruzarem e neste momento houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.

Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante e os olhos encherem d'água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.

Se o primeiro e o último pensamento do dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente divino: o amor.

Se um dia tiver que pedir perdão um ao outro por algum motivo e em troca receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os gestos valerem mais que mil palavras, entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.

Se por algum motivo você estiver triste, se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa sofrer o seu sofrimento, chorar as suas lágrimas e enxugá-las com ternura, que coisa maravilhosa: você poderá contar com ela em qualquer momento de sua vida.

Se você conseguir em pensamento sentir o cheiro da pessoa como se ela estivesse ali do seu lado...

se você achar a pessoa maravilhosamente linda, mesmo ela estando de pijamas velhos, chinelos de dedo e cabelos emaranhados...

Se você não consegue trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro que está marcado para a noite...

se você não consegue imaginar, de maneira nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado... Se você tiver a certeza que vai ver a pessoa envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção que vai continuar sendo louco por ela...

se você preferir morrer antes de ver a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida.

É uma dádiva.

Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas amam ou encontram um amor verdadeiro.

Ou às vezes encontram e por não prestarem atenção nesses sinais, deixam o amor passar, sem deixá-lo acontecer verdadeiramente.

É o livre-arbítrio.

Por isso preste atenção nos sinais, não deixe que as loucuras do dia a dia o deixem cego para a melhor coisa da vida:

o amor.

(Carlos Drummond de Andrade)

Novembro 23, 2009

Pacto com a felicidade


Terei sempre em mente que um minuto passado, não volta mais,

vou viver todos os minutos proveitosamente

não vou sofrer por antecipação prevendo futuros incertos,

nem com atraso,

lembrando de coisas sobre as quais não tenho mais ação.

Não vou pensar no que não tenho e que gostaria de ter,

mas em como posso ser feliz com o que possuo.

E o maior bem que possuo é a própria vida!!!

Vou lembrar de ler uma poesia e de ouvir uma canção,

vou dedicá-las a alguém.

Vou fazer alguma coisa para alguém,

sem esperar nada em troca,

apenas pelo prazer de ver alguém sorrir.

Vou lembrar que existe alguém que me quer bem.

Vou dedicar uns minutos de pensamento para os que já se foram

para que saibam que serão sempre uma doce lembrança,

até que venhamos a nos encontrar outra vez.

Vou procurar dar um pouco de alegria para alguém,

especialmente quando sentir que a tristeza e o desânimo querem se aproximar.

E quando a noite chegar,

vou olhar para o céu,

para as estrelas e para o luar e Agradecer a Deus,

porque Hoje

Eu Sou FELIZ!!!!!!!!

(autoria desconhecida)

Novembro 19, 2009



Eu poetizo a vida, sem fronteiras.

Faço da vida um sonho delirante!

Qual animal lendário, em plena cria, dou luz na noite ao espírito da lua.

E viro o sol ardente, em pleno dia.

Apaixonada, eu adormeço nua.

Como um manancial de energia, transmuto a alma em fonte de poesia...

(Katia Drummond)

Novembro 15, 2009

Se viesses comigo

Se viesses comigo
banharia-te
nas águas puras e cristalinas
das pias batismais
Teus cabelos negros
perfumaria em água de alecrim
com óleo de jasmim
deslizaria minhas mãos em teu corpo
para depois envolver-te
no manto das divindades sagradas
tua fome saciarias com finas e raras iguarias
beberias do vinho mais inebriante
Vestida de luz
ornada com grinalda
caminharia contigo
sob jaspes e pétalas
Cobertos pela noite escura
a luz das estrelas
qual lobo faminto
louco
insano
voraz
me abririas o universo
a desvendar todos os mistérios...
Únicos
percorreríamos a madrugada
como estrelas
soltas
indeléveis e fugazes.
Lu Barros



Novembro 09, 2009

Para ser feliz



Não te descuide da hora livre;

da conversa banal;

da amizade de ocasião;

da distração vaga;

do pensamento solto;

do olhar displicente;

da emoção livre;

da relação informal.
Para que depois não te assalte o ócio;

não te martirize o tédio:não te aflija o remorso;

não te fira a solidão;

não te surpreenda o desprezo;

te domine o vício;

não te curve o fracasso;

não se desfaça a alegria.
André Luiz

Novembro 04, 2009

Recado as mulheres.



A mulher carrega em si o dom de ser como Deus em pequenas medidas.

Jesus ficou nove meses no ventre, foi amamentado, amado por Maria, foi humano.

A Santíssima Virgem passou por muitos desafios naquela época, mas resistiu.

Nossa Senhora precisou ter os olhos fixos em Deus para ser fiel à missão dada a Ela.


Mulher, se você olhar para você,

para a potência que você tem de alimentar e conduzir uma casa,

se você se espelhar em Maria,

sendo fiel às coisas simples e tendo os olhos fixos em Jesus,

tudo será diferente.


Há em você, mulher, uma sacralidade que dia após dia você precisa reconhecer.

Mulheres, não negligenciem o dom de sua feminilidade!

A mulher tem poder de costurar o mundo,

assim como no passado entrelaçavam as linhas,

faziam tudo que era artesanal.


Você precisa ser artesã para "costurar" o mundo.

Quando temos um problema com o pai, tudo continua em pé,

mas se a mãe se entrega, dificilmente o lar fica em pé.


A mulher é capaz de suportar um pouco mais que a gente.

As mulheres mensalmente sentem dor, sangram (ciclo menstrual).

Se fosse eu quem sangrasse,

todos os meses iria ao hospital.

Tenho pavor de sangue!


Mulher, aquilo que você tem é dom de Deus para você ser igual a Virgem Maria.

Maria honrou a sua missão de educar o Filho de Deus.

Ela foi pedagoga.

Se Jesus foi capaz de subir ao calvário, foi porque

Ela O educou para ser corajoso.


A Santíssima Virgem não foi uma mãe histérica. Até mesmo na hora do seu Filho morrer, Ela estava presente com um olhar discreto.


'A mulher carrega em si o dom de ser como Deus em pequenas medidas.'


A mulher tem a sensibilidade. É mulher de aço, é mulher de flor.

Não podemos anunciar Jesus só pela justiça, mas pela misericórdia.

Só paramos em pé se estamos em equilíbrio. Onde está o seu equilíbrio, mulher?

Não seja relaxada!

Mãe, seja o equilíbrio, seja mãe de um jeito certo, seja esposa com os dois pés, equilibrada - nem na omissão nem querendo mandar em tudo.

Seu marido não pode ser empecilho para você subir ao céu.

Não substitua a leveza de Maria, a leveza de mulher.

Não permita que este modelo de mulher da sociedade a influencie.

Que seu modelo seja d'Aquela que subiu ao céu.

E você, homem, marido, segure na mão desta mulher,

porque se ela subir você sobe junto.

Pe fábio de Melo

princípios éticos e morais, Mt 5: 1- 11


Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus;
Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados;
Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra;
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos;
Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia;
Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus;
Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus;
Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus;
Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa.
Mt 5: 1- 11