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novembro 04, 2007

VITÓRIA RÉGIA!, autor: Valter Gomes

Quão bela és flor!
Quão nobre amor!
Tua doação contagiará,
Vamos agradecer você participar
Vem participar da Vitória Régia!
Vem participar da Vitória Régia!
VITÓRIA RÉGIA!
VITÓRIA RÉGIA!
Venha compartilhar,
com amor nos ajudar
Ao teu lado poderei, o mundo melhorar!
Vamos comemorar, você se entregar.
Vem se entregar na Vitória Régia!
Vem se entregar na Vitória Régia!
VITÓRIA RÉGIA!
VITÓRIA RÉGIA!
Vem se divertir, conosco vem dançar!
Juntos nós iremos a vitória conquistar!
Vem participar da Vitória Régia!
Vem se entregar na Vitória Régia!
Venha conquistar, mais uma vitória!
VITÓRIA RÉGIA!
VITÓRIA RÉGIA!

Tema da festa da Vitória Régia,
Praça de Casa fort Recife/Pe
Sua participação é fundamental para ajudar a manter por 12 meses a Creche Marcelo Asfora.
Faça a sua parte.

outubro 25, 2007

A tal felicidade

não canso de buscar a tal felicidade
mas estou impregnada de realidade
olho pela janela e o real invade,
levo um tapa, um choque
mas o sonho continua,
a luz das estrelas me faz querer buscar
o sonho de um mundo melhor,
de pessoas melhores,
aquele tal de "paz e amor"
que pelo brilho dos olhos dos casais
sentados na praça,
o sonho que está no papel não amassa
bebo meu vinho com a intenção de esquentar meu coração,
de agasalha-lo do frio que me invadiu pela janelado frio,
da solidão, da ilusão
preciso de mais fé em mim,
em todos, em tudo,
enganarmos de vez em quando é muito interessante
enganarmos de tristeza,
de ilusão,
de ódio,
so para depois olhar no espelho e dizer:-não,
desculpe foi um engano,
é alegria,
esperança,
é amor.
amor trazido ao meu ouvido
pelo canto cupido do beija-flor
esperança,trazida pelo olhar de uma criança
acompanhado de um sorriso de quem ganhou um pirulito
e a alegria que contagia e nos faz ver que a nossa própria companhia é a melhor em alguns momentos,
precisamos estar sozinhos,
parar e pensar no que podemos ser e fazer para se ter um mundo melhor
mas quero alguém que me faça sentir
que sorrir é o remedio
para que eu faça a minha parte
e conserte o desastre em que estamos
quero viver quero você,
quero eu minha felicidade
quero buscar dentro de mim o que vocês chamam de alegria
e exteriorizar -se quando isso fizer,
não for o que vocês esperam,
sinto muito mas essa é a minha
tal felicidade.
Jeniffer Santos
(19 anos de idade)

outubro 23, 2007

A Felicidade


Tristeza não tem fim
Felicidade, sim
A felicidade é como a pluma

Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar
A felicidade do pobre parece

A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei ou de pirata ou jardineira
E tudo se acabar na quarta feira
Tristeza não tem fim Felicidade, sim
A felicidade é como a gota
De orvalho numa pétala de flor
Brilha tranquila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor
A minha felicidade está sonhando

Nos olhos da minha namorada
É como esta noite
Passando, passando
Em busca da madrugada
Falem baixo, por favor
Pra que ela acorde alegre como o dia
Oferecendo beijos de amor
Tristeza não tem fim

Felicidade, sim

Antonio Carlos Jobim
Vinicius de Morais

SER FELIZ É CORRER RISCOS


Feliz é aquele que saboreia quando come, enxerga quando olha, dorme quando deita, compreende quando reflete, aceita-se e aceita a vida como ela é.
Há quem diga que felicidade depende, antes de tudo, de bastar-se a si próprio; de não depender de ajuda, de opinião e, sobretudo, de não se deixar influenciar por ninguém.
Será mesmo? Você pode imaginar uma pessoa assim?
Lao Tzé dizia: "Grande amor, grande sofrimento; pequeno amor, pequeno sofrimento; não amor, não sofrimento".
Pode imaginar você um homem sem paixão, sem desejos? A felicidade, entendida assim, não seria apenas um engôdo, algo contra a natureza humana?
Evidentemente! Sem amor, sem paixão, que sentido teria a existência?
A felicidade é proporcional ao risco que se corre. Quem se protege contra o sofrimento, protege-se contra a felicidade.
Quem se torna invulnerável, torna sem sentido a existência.
O homem feliz aceita ser vulnerável. O homem feliz aceita depender dos outros, mesmo pondo em risco sua própria felicidade.
É a condição do amor e de todas as relações humanas, sem o que a vida não teria sentido.


Jean Onimus

Felicidade



Felicidade não tem peso,

nem tem medida,

não pode ser comprada,

não se empresta,

não se toma emprestada,

não resiste a cálculos,

porque não material,

nos padrões materiais do nosso mundo.

Só pode ser legítima.

Felicidade falsa não é felicidade,

é ilusão.

Mas, se eu soubesse fazer contas na medida do bem,

diria que a felicidade pode ter tamanho,

pode ser grande,

pequena,cabendo nas conchas da mão,

ou ser do tamanhão do mundo.

Felicidade é sabedoria,

esperança,

vontade de ir,

vontade de ficar,

presente, passado, futuro.

Felicidade é confiança:fé e crença,trabalho e ação.

Não se pode ter pressa de ser feliz,

porque a felicidade vem devagarinho,

como quem não quer nada.

Ser feliz não depende de dinheiro,

não depende de saúde,nem de poder.

Felicidade não é fruto da ostentação,

nem do luxo.

Felicidade é desprendimento,

não é ambição.

Só é feliz quem sabe suportar, perder, sofrer e perdoar.

Só é feliz quem sabe,

sobretudo,

amar


Wanderlino Arruda

outubro 21, 2007

Felicidade Realista


De norte a sul, de leste a oeste, todo mundo quer ser feliz.
Não é tarefa das mais fáceis.
A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos.
Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis.
Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica, a bolsa Louis Vuitton e uma temporada num spa cinco estrelas.
E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando.
Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo.
Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito.
É o que dá ver tanta televisão.
Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista.
Por que só podemos ser felizes formando um par, e não como ímpares? Ter um parceiro constante não é sinônimo de felicidade, a não ser que seja a felicidade de estar correspondendo às expectativas da sociedade, mas isso é outro assunto.
Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com três parceiros, feliz sem nenhum.
Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.
Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo.
Não perder tempo juntando, juntando, juntando.
Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado.
E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.
Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável.
Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno.
Olhe para o relógio: hora de acordar.
É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente.
A vida não é um game onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio.
Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade.
Se a meta está alta demais, reduza-a.
Se você não está de acordo com as regras, demita-se.
Invente seu próprio jogo.
Martha Medeiros

outubro 19, 2007

"Carta ao Vento"




Ele disse que eu escrevia
como o vento.
E tudo o que eu queria
era invadir sua alma,
impregná-la com minha presença,
tão suave e sutilmente
que ele nem se daria conta.
De uma maneira que ele pudesse
até esquecer meu nome,
mas que a lembrança de um vento
invadindo a alma
fosse tão indelével que não houvesse nem
mesmo como nomeá-la.
Queria que minhas palavras
ecoassem em seu coração
sem que importasse a autoria.
Sutil como um perfume
que sentimos de repente
e que nos transporta para um não sabemos onde,
nem quando...
Mas para algum lugar que nos enleva.
Quando os olhos se fecham querendo
resgatar aquele sentimento que invade...
Que simplesmente invade,
com um prazer sugerido,
deixando escapar um suspiro anônimo.
A visão de um rosto na multidão
que se perde em promessas
nunca cumpridas.
Você escreve como o vento.
Ele me disse.
(de autoria desconhecida)

outubro 17, 2007

O beijo e a lambida, por Edson Marques


Sou poeta, sou macio, sou redondo e pequenino.

Sou criança, inocente.

Tenho a pele delicada, sou feito para o beijo e a ternura.

Para o afago e a carícia.

Se me envolvem com verdades e doçura,

com poesia e com romance,

eu me deixo conduzir alegremente.

Dou a minha mão com a mesma facilidade com que dou a minha alma.

Dou-me todo, viro anjo sensual.

Mas, se por acaso me enganam e tentam me explorar;

se me mordem, eu reajo feito a salamandra de pele áspera.

Viro veneno.

Se me oprimem e me engolem por maldade,

produzo toxina fulminante.

E como sou grande por dentro,

eu me salvo de quem me prende,

e saio de novo para a Vida,

louco e livre, como sempre.

E volto a ser gostoso, bem macio, poeta, doce, pequenino

– e pronto outra vez para o beijo e a lambida,

para o afago e a ternura.


Edson Marques

Soneto aos Nubentes, Eduardo e Carolina


11 de outubro de 2007,

Filhos, fazei de vossa casa um lar
E deste Lar fazei um duplo altar:
O altar do Sacrifício, e do Incenso
Naquele há sempre fogo, e neste, luz.

Queimai no Sacrificio as amarguras,
Carências e tristezas, - se existirem.
Ao Incenso levai a Gratidão,
A súplica e a Prece - a adoração.
Não seja o vosso Coração, Piscina
ao alcance de estranhos malfeitores,
que contaminam a fé, a crença e o amor.

Abençoado seja o vosso enlace.
E bem-aventurados sejam vossos filhos,
E reine em vosso lar a Paz Divina.

Vô Elias Sabino

outubro 15, 2007

Um menino, um piano

Amigos, assistam na quinta-feira, dia 18/10, a entrevista do pianista Vitor Araújo no Programa do Jô na rede globo de televisão, trata-se de um jovem pernambucano com futuro promissor na área musical instrumental, de quem com muito orgulho sou tia e amiga. Vale a pena conferir e divulgar.


Virtuosa Molecagem (por Ana Paula Sousa)

Entre os muitos instrumentistas que subiram e desceram as ladeiras de Olinda (PE) na primeira semana de setembro estava um rapaz miúdo, 18 anos recém-completados, olhos que parecem mirar o horizonte. Convidado para os concertos da Mostra Internacional de Música de Olinda (MIMO), o recifense Vitor Araújo era aprendiz entre artistas como Isaac Karabtchevsky, Antonio Menezes, Egberto Gismonti e Dang Thai Son (pianista vietnamita). Mas seu piano moleque lotou o Convento São Francisco, no sábado 8, e deixou a platéia afoita. Se não tem a excelência dos colegas, Araújo tem de sobra uma capacidade: fazer o piano soar humano, simples. Durante o concerto, quase entortou as paredes da igreja habituada ao silêncio. Diante do altar refletido no piano de cauda, mexia os pés como se fosse clown, batucava na madeira como se fosse Naná Vasconcelos e conversava com o público. No repertório, peças de um arco amplo, como Villa-Lobos, Chico Buarque e uma melódica composição própria, trilha de um curta-metragem pernambucano. Tudo com notas e escalas imprevistas. Não à toa, teve as estripulias transformadas em polêmica. No ano passado, o compositor Marlos Nobre ameaçou processá-lo na Justiça por conta dos improvisos que desmontaram a partitura original."Você acredita? Já imaginou como o juiz ia ter que julgar isso? Ia dizer assim: Acusado de tocar o ré errado', ele brinca. Em Olinda, pôs um espectador para tocar com ele, numa brincadeira que soou bonita, e fez coro com a igreja. "Se vocês forem afinados, vai ficar lindo". Tocou um dó. Depois um si. E mandou o público entoar as duas notas num "ah" alongado. Ficou lindo.




"Quero mostrar que todo mundo pode fazer música. A distância que a música erudita cria é muito chata. A arte, pra mim, é inerente ao ser humano, então fico feliz de fazer o público perceber isso. A música racional demais, pra mim, não é arte não", diz, juvenil, sorridente. Sobre os improvisos, repete uma resposta ensaiada: "Não sou eu, é meu dedo".Começou a estudar piano clássico aos 10 anos e hoje faz faculdade de música. Começou a brincar de notas pretas e brancas com o público em novembro de 2006, no Teatro Santa Isabel (Recife), e vem ganhando fama. Em dezembro, com o patrocínio da prefeitura, gravará o primeiro DVD. "De repente, começou a aprecer uma coisa e outra. Fui convidado pelo Unicef pra tocar no Palácio do Planalto. Vir aqui foi demais. Além de tocar, conheci um bocado de músicos que, meu Deus, são muito bons". O nome dos ídolos, tem na ponta da língua. Gismonti é o "grande mestre". André Mehmari, o "gênio" da nova geração.O que ele não ouviu foi o sabiá que, enquanto tocava uma canção de Lenine, piou forte à porta da igreja. Vitor teria adorado saber que até o passarinho resolveu participar.Carta Capital, 19 de setembro de 2007, ano XIII, nº 462.












setembro 21, 2007

Viajar é preciso...



"... Hoje entendo bem meu pai. Um homem precisa viajar.

Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou tv.

Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu.

Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor.

Conhecer o frio para desfrutar do calor.

E o oposto.

Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto.

Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser;

que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver".

Amyr Klink

setembro 20, 2007

O CONVITE, Oriah Mountain Dreamer



-Não me interessa o que você faz para viver.

Quero saber o que você deseja ardentemente, e se você se atreve a sonhar em encontrar os desejos do seu coração.

Não me interessa quantos anos você tem.

Quero saber se você se arriscaria a aparentar que é um tolo por amor, por seus sonhos, pela aventura de estar vivo.

Não me interessa quais os planetas que estão em quadratura com a sua lua.

Quero saber se você tocou o centro de sua própria tristeza, se você se tornou mais aberto por causa das traições da vida, ou se tornou murcho e fechado por medo das futuras mágoas.

Quero saber se você pode sentar-se com a dor, minha ou sua, sem se mexer para escondê-la, tentar diminuí-la ou tratá-la.

Quero saber se você pode conviver com a alegria, minha ou sua, se você pode dançar loucamente e deixar que o êxtase tome conta de você dos pés à cabeça, sem a cautela de ser cuidadoso, de ser realista ou de lembrar das limitações de ser humano.

Não me interessa se a história que você está contando é verdadeira.

Quero saber se você pode desapontar alguém para ser verdadeiro com você mesmo; se você pode suportar acusações de traição e não trair sua própria alma.

Quero saber se você pode ser leal, e portanto, confiável.

Quero saber se você pode ver a beleza mesmo quando o que vê não seja bonito todos os dias, e se você pode buscar a fonte de sua vida da presença de Deus.

Quero saber se você pode conviver com o fracasso, seu e meu, e ainda postar-se à beira de um lago e gritar à lua cheia prateada: "Sim!"Não me interessa saber onde mora e quanto dinheiro você tem.

Quero saber se você pode levantar depois de uma noite de tristeza e desespero, cansado e machucado até os ossos e fazer o que tem que ser feito

Quero saber se você vai se postar no meio do fogo comigo e não vai se encolher.

Não me interessa onde ou o que ou com quem você estudou.

Quero saber o que o segura por dentro quando tudo o mais fracassa.

Quero saber se você pode ficar só consigo mesmo e se você verdadeiramente gosta da companhia que consegue nos momentos vazios.


(Oriah Mountain Dreamer - O Convite)

setembro 19, 2007

Drummond em Amar se Aprende Amando



As sem-razões do amor



Eu te amo porque te amo,

Não precisas ser amante,

e nem sempre sabes sê-lo.


Eu te amo porque te amo.

Amor é estado de graça

e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,

é semeado no vento,

na cachoeira,

no eclipse.

Amor foge a dicionários

e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo

bastante ou demais a mim.

Porque amor não se troca,


não se conjuga nem se ama.

Porque amor é amor a nada,

feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,

e da morte vencedor,

por mais que o matem

(e matam) a cada instante

de amor.

Meu Amanhã - Lenine




"Ela é minha delícia

O meu adorno

Janela de Retorno

Uma viagem sideral

Ela é minha festa

Meu requinte

A única ouvinte

Da minha Rádio Nacional

Ela é minha sina

O meu cinema

A tela da minha cena

A cerca do meu quintal

Minha meta, minha metade

Minha seta, minha saudade

Minha diva, meu divã

Minha manha, meu amanhã

Ela é minha orgia

Meu quitute

Insaciável apetite numa ceia de Natal

Ela é minha bela

Meu brinquedo

Minha certeza, meu medo

É meu céu e meu mal

Ela é meu vício

E dependência

Incansável paciência

o desfecho final

Minha meta, minha metade

Minha seta, minha saudade

Minha diva, meu divã

Minha manha, meu amanhã"

- ela é o meu amor

setembro 15, 2007

Receita de mulher



As muito feias que me perdoem mas beleza é fundamental.

É preciso que haja qualquer coisa de dança, qualquer coisa de haute couture

Em tudo isso (ou então Que a mulher se socialize elegantemente em azul, como na República [Popular Chinesa). Não há meio-termo possível.

É preciso que tudo isso seja belo.

É preciso que súbito tenha-se a impressão de ver uma garça apenas pousada e que um rosto adquira de vez em quando essa cor só encontrável no terceiro minuto da aurora.

É preciso que tudo isso seja sem ser, mas que se reflita e desabroche no olhar dos homens.

É preciso, é absolutamente preciso que tudo seja belo e inesperado.

É preciso que umas pálpebras cerradas lembrem um verso de Eluard e que se acaricie nuns braços alguma coisa além da carne: que se os toque como ao âmbar de uma tarde.

Ah, deixai e dizer-vos que é preciso que a mulher que ali está como a corola ante o pássaro seja bela
ou tenha pelo menos um rosto que lembre um templo e seja leve como um resto de nuvem: mas que seja uma nuvem com olhos e nádegas.
Nádegas é importantíssimo.
Olhos, então nem se fala, que olhem com certa maldade inocente.
Uma boca Fresca (nunca úmida!) e também de extrema pertinência.
É preciso que as extremidades sejam magras; que uns ossos despontem, sobretudo a rótula no cruzar das pernas, e as pontas pélvicas No enlaçar de uma cintura semovente.
Gravíssimo é, porém, o problema das saboneteiras: uma mulher sem saboneteiras É como um rio sem pontes.
Indispensável Que haja uma hipótese de barriguinha, e em seguida a mulher se alteie em cálice, e que seus seios sejam uma expressão greco-romana, mais que gótica ou barroca e possam iluminar o escuro com uma capacidade mínima de 5 velas.
Sobremodo pertinaz é estarem a caveira e a coluna vertebral levemente à mostra;
e que exista um grande latifúndio dorsal! Os membros que terminem como hastes, mas bem haja um certo volume de coxas e que elas sejam lisas, lisas como a pétala e cobertas de suavíssima penugem,
no entanto, sensível à carícia em sentido contrário.

É aconselhável na axila uma doce relva com aroma próprio apenas sensível (um mínimo de produtos farmacêuticos!)

Preferíveis sem dúvida os pescoços longos de forma que a cabeça dê por vezes a impressão de nada ter a ver com o corpo, e a mulher não lembre Flores sem mistério.
Pés e mãos devem conter elementos góticos discretos.
A pele deve ser fresca nas mãos, nos braços, no dorso e na face mas que as concavidades e reentrâncias tenham uma temperatura nunca inferior a 37° centígrados podendo eventualmente provocar queimaduras do 1° grau.

Os olhos, que sejam de preferência grandes e de rotação pelo menos tão lenta quanto a da Terra; e que se coloquem sempre para lá de um invisível muro da paixão que é preciso ultrapassar.

Que a mulher seja em princípio alta ou, caso baixa, que tenha a atitude mental dos altos píncaros.

Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que, se se fechar os olhos ao abri-los ela não mais estará presente com seu sorriso e suas tramas.

Que ela surja, não venha; parta, não vá e que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer beber o fel da dúvida.
Oh, sobretudo que ele não perca nunca, não importa em que mundo não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade de pássaro;
e que acariciada no fundo de si mesma transforme-se em fera sem perder sua graça de ave;
e que exale sempre o impossível perfume;
e destile sempre o embriagante mel;
e cante sempre o inaudível canto da sua combustão;
e não deixe de ser nunca a eterna dançarina do efêmero;
e em sua incalculável imperfeição
constitua a coisa mais bela
e mais perfeita de toda a criação inumerável.
Vinicius de Moraes

setembro 08, 2007

Liberdade


Liberta-me os sentidos presos entre as veias,

liberta-me o sangue que se quebra nas ausências e nas distâncias,

a liberdade dos loucos é a musicalidade dos sentidos,

a liberdade dos sentidos é o despertar dos puros de coração.

Liberdade...

A liberdade dos meus gestos é a imagem do teu rosto,

a liberdade da minha voz é a música do teu olhar,

há liberdade quando o coração desperta na pureza,

ergue-se a fortaleza no reflexo da tua face para lá do meu rosto......

tanta liberdade e uma só alma para a viver.



AMOR SAGRADO

Põe-me como selo
sobre teu corpo
(Templo Sagrado)
Ainda que profano seja
este meu apelo
Faz de meu sagrado seio
Tua Macieira
Faz de minhas maçãs
Teu melhor bocado
Tal qual o vento
remexendo nas árvores
feito um ser insano . . .
Sentir-te quero em mim
não importa como. . .
se . . .
Sagrado ou Profano!
Pois, estando as nuvens cheias

derramam as chuvas sobre a terra
Dize-me ó tu que amas;
Onde derramarei eu
este meu néctar sagrado?
Rosas vermelhas de desejos
impetuosas desabrocham
na primavera do meu corpo em florão . . .
Oh! meu amor!
Já despi meus sentimentos
como vesti-los novamente?
Sinto o espírito clamando:
PUREZA!!!
Ouço o corpo gritando
PAIXÃO!!!
Que atire a primeira pedra
aquele que nunca amou
ou nunca foi desejado
E . . .
Perdoai-me Senhor!
Se profanei aqui
imagem antes pura . . .
do meu . . .
AMOR
SAGRADO

Irani Alves Degenaro

PRESENÇA

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É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,

teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento

das horas ponha um frêmito em teus cabelos...

É preciso que a tua ausência trescale

sutilmente, no ar, a trevo machucado,

as folhas de alecrim desde há muito guardadas

não se sabe por quem nalgum móvel antigo...

Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela

e respirar-te, azul e luminosa, no ar.

É preciso a saudade para eu sentir

como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida...

Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista

que nunca te pareces com o teu retrato...

E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te.
Mario Quintana

setembro 02, 2007

Anjo à-toa


Não busque no meu corpo a carne, a chama.
Nem veja no meu rosto uma consagração qualquer.
Eu sei que sou um anjo à-toa nesse mundo.
Um tiro certo, um poço fundo,
um precipício aberto, uma mulher.
O que é que eu faço dessa sensação estranha,
que me persegue e me apanha,
e me vira pelo avesso,
que não tem fim nem começo
e me faz o que bem quer?
O que é que eu faço dessa sensação perdida,
desvairada, enlouquecida,
displicente, amargurada,
se o meu sorriso anda tão comprometido
e se a gente passa e pensa,
sem recompensa, sem nada?
Eu quero ser seu anjo,
à-toa e vagabundo,
seu mistério o mais profundo
e você vem quando quiser.
Se você quer morrer de amor,
morrer de vício,
eu quero ser seu precipício,
seu amor, sua mulher.


Poema: Kátia Drummond

agosto 31, 2007

Um bilhete recebido

Encontrei entre meus guardados um pedacinho de papel já amarelado pelo tempo, um bilhetinho de uma amiga muito especial da minha infancia e adolescencia. Achei que deveria eternizá-lo aqui neste meu espaço. Sou muito feliz porque na minha vida fiz belas amizades as quais guardo no lado esquerdo do peito, mesmo que o tempo e a distância digam não... obrigada Maria José, boa amiga Mazé.
O que importa é ouvir a voz que vem do coração...

Aflitos, 05 de julho de 1984.


Eluza querida,

Vivo momentos felizes, quase inacreditáveis...
Gostaria que soubesses que partilho cada um desses momentinhos com o coração cheio de amor e confiança, pois, esses sentimentos eu consegui solidificar a partir do nosso maravilhoso tempo de adolescentes carentes de paz e esperança...
Sou sinceramente agradecida a ti que abriste-me os olhos da alma para a essência do espírito cristão...
Tenho o maior orgulho de ter como verdadeira amiga uma criatura transcendental que vive eternamente comigo,
é essa pessoa a única que tem no meio do seu lindo nome
a grandeza e a esperança da vida "E "luz" a".

agosto 27, 2007

DESENCANTO, por Manoel Bandeira


Eu faço versos como quem chora
De desalento ... de desencanto ...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.

Meu verso é sangue. Volúpia ardente ...
Tristeza esparsa ... remorso vão ...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.

E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.

- Eu faço versos como quem morre.

agosto 26, 2007

Poema da Noite, por Zelia Bora


Gostaria de nada desejar esta noite a não ser
O sono dos inocentes,
repousar minha cabeça cansada sobre um
travesseiro quieto.
Não sonharia, porque os sonhos projetam nossos
desejos fatigados
pelas perdas e ganhos.
Dormiria e acordaria sem alegria,
sem tristeza
e sem saudade,
enquanto o momento seria um leve
reconhecimento do que chamamos vida.
E, se eu desejasse algo,
lembraria, repentinamente, quem sabe,
teus olhos;
depois, tocaria meu lençol de flores miúdas de
um verão imaginário,
dormiria feliz e, pela manhã,
o sol brilharia lá fora e desafiaria inerte minha tola
existência


Zélia Bora tem doutorado em Estudos Portugueses e Brasileiros, pela Brown University, USA e atualmente é professora de Literatura Brasileira da Universidade Federal da Paraíba –UFPb.

agosto 20, 2007

Ausência, por Vinicius de Moraes



Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doce
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado.
Eu deixarei… tu irás e encostarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos
Mas te possuirei mais que ninguém porque poderei partir
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.
Vinícius de Moraes

Cartas de amor


Todas as cartas de amor são ridículas.
Não seriam cartas de amor
Se não fossem ridículas.
Também escrevi em meu tempo
cartas de amor,
Como as outras,
ridículas.
As cartas de amor,
Se há amor,
Têm de ser ridículas.
Mas, afinal, só as criaturas
que nunca escreveram
cartas de amor
É que são ridículas...

Álvaro de Campos ( heterônimo de Fernando Pessoa ) - 21/10/1935

agosto 08, 2007

Te Quiero, por Pablo Neruda



No te quiero sino porque te quiero
y de quererte a no quererte llego
y de esperarte cuando no te espero
pasa mi corazón del frío al fuego.

Te quiero sólo porque a ti te quiero,
te odio sin fin, y odiándote te ruego,
y la medida de mi amor viajero
es no verte y amarte como un ciego.

Tal vez consumirá la luz de enero,
su rayo cruel, mi corazón entero,
robándome la llave del sosiego.

En esta historia sólo yo me muero
y moriré de amor porque te quiero,
porque te quiero, amor,
a sangre y fuego.

Pablo Neruda: Cien sonetos de amor

Não te quero senão porque te quero,
e de querer-te a não te querer chego,
e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.

Quero-te só porque a ti te quero,
Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te, como um cego.

Tal vez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego,
nesta história só eu me morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero amor,
a sangue e fogo.

agosto 05, 2007

por CORA CORALINA




Não sei se a vida é curta
ou longa demais para nós.
Mas sei que nada que vivemos
tem sentido,
se não tocamos o coração
das pessoas.
Muitas vezes
basta ser Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo.
È o que dá sentido a vida.
É o que faz com que ela não seja nem curta,
nem longa demais.
Mas que seja intensa,
verdadeira e pura.
Enquanto durar.
" Feliz aquele que transfere o que sabe...
e aprende o que ensina".
Cora Coralina

agosto 04, 2007

Quem Morre?, Por Pablo Neruda


Morre lentamente quem não viaja,
quem não lê, quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajetos,
quem não muda de marca,
não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente,
quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente,
quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo
exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar.
Somente a perseverança fará com que conquistemos
um estágio esplêndido de felicidade.

julho 30, 2007

Os Teus Olhos, por Florbela Espanca



O Céu azul, não era
dessa cor, antigamente;
Era branco como um lírio,
Ou como estrela cadente.
Um dia, fez Deus uns olhos

Tão azuis como esses teus,
Que olharam admirados
A taça branca dos céus.
Quando sentiu esse olhar:

“Que doçura, que primor!
”Disse o céu, e ciumento,
Tornou-se da mesma cor!
Florbela Espanca
21/01/1916

julho 27, 2007

Se viesses comigo

Se viesses comigo te banharia
nas águas puras e cristalinas das pias batismais.
Teus cabelos
negros
lavaria em água perfumada de alecrim.
Nas mãos, óleo
de jasmim
a deslizar teu corpo,
para depois
envolver-te
com o manto das divindades sagradas.
Tua fome
saciaria com finas
e raras iguarias e te ofertaria vinho,o mais inebriante.
Ornada de grinalda, flores e vestes de luz
caminharia ao teu lado sob jaspes e pétalas.
Na noite escura, à luz das estrelas,
qual loba faminta te devoraria, louca, insana e voraz.
Penetrando a madrugada abriríamos o universo a desvendar todos os mistérios... .
tal qual estrelas,indeleveis,soltas e fugazes.
(Lu Barros)


julho 25, 2007

Mulheres, por Edson Marques


Não me bastam os cinco sentidos para perceber-lhes toda a beleza.
Não me bastam os cinco sentidos para viver com totalidade o mistério profundo que elas trazem consigo.
Eu tenho é que tocá-las, cheirá-las, acariciá-las, penetrar-lhes o sorriso, sentir o seu perfume, beijar-lhes o céu da boca, ouvir suas histórias, transformá-las em deusas.
Tenho que dar-lhes o amor que o meu corpo conduz e sustenta-me a alma.
O belo amor natural por todas as coisas do mundo. Como espelho de paixões em labareda, tenho que sentir nos seus olhos um raro brilho diamante.
Eu as respeito e as venero, com a graça de um cisne que dança num lago tranqüilo e a ousadia de um touro selvagem recém-despertado.
Não lhes faço perguntas, não as pressiono por nada, não lhes tiro a liberdade, não quero mudá-las jamais.
Sempre imagino o que estejam sonhando, e pulo de cabeça no sonho delas.
Cavalgo o vento para visitar-lhes as razões, as emoções e as loucuras.
Como um deus escandaloso e surpreso por sua própria criatura, entro no coração de cada uma delas, deliciosamente, como se entrasse numa pulsante catedral.
Mergulho na essência dos seus desejos e cada vez me espanto mais com tanta fantasia.
Os cinco sentidos, por não serem precisos, ainda não bastam, e preciso mais do que isso para compreendê-las.
Toda mulher é silenciosa por dentro.
A existência pura se manifesta em cada detalhe.
Assim na terra como no céu, amar as mulheres é uma experiência religiosa.
E eu as amo, fina substância, como deve amar quem ama de verdade — incondicionalmente.
Sem ciúmes.
Eu amo as morenas, as loiras, as baixinhas, as altas, as lindas, as quase feias.
Amo as virtuosas, as magras, as gordinhas, as diabólicas, as tímidas, e até as mentirosas.
As iluminadas, as pecadoras, e as santíssimas.
Amo as virgens, as pobres, as ricas, as loucas, as muito vivas, as inocentes.
As bronzeadas pelo sol, e as branquinhas.
As inteligentes, e as nem tanto.
Desde que sensíveis, eu amo as jovens, as velhas, as solteiras, as casadas, as separadas.
As bem-amadas, e as abandonadas.
As livres, e as indecisas.
E se me dessem o poder, o tempo e, principalmente, a chance, eu a todas elas daria, todos os dias, um orgasmo cósmico, poético e sublime.
Apanharia flores silvestres, tomaria sol com todas elas.
Andaríamos descalços na areia, contemplaríamos crepúsculos cor de abóbora, jantaríamos à luz de velas, dançaríamos, tomaríamos vinho branco, olharíamos as estrelas.
E eu lhes faria poesias de amor.
Puro como um anjo, amaria cada uma delas eternamente — uma por vez.
Com delicadeza, com doçura, com profundidade, com inocência.
Entusiasmado, como se cada uma fosse a única.
Como se no mundo inteiro não houvesse mais nada, nem ninguém.
Todas as noites, passaria cremes e encantos no seu corpo.
Falaria sobre fábulas, contaria histórias românticas, as veria dormir.
Ouvindo Beethoven, velaria por um tempo o sono delas, e de madrugada, antes do sol raiar, antes do primeiro pássaro cantar, as cobriria com o resto de luar que ainda houvesse, e sairia em silêncio.
Como um felino lógico, sensual e saciado, deslizaria pelo cetim azul-celeste dos lençóis, saltaria por sobre todas as metáforas — e sorrindo iria embora.
Enfim, se por acaso fosse Deus, eu com certeza não mais ficaria cuidando do universo e dessas outras coisinhas banais.
Não ficaria controlando o destino das pessoas, o tempo, os compromissos, a pressa, o caminho dos planetas, a economia, o cotidiano, o infinito, os genes, a Internet, a gravidade, a geografia… Não! Eu somente iria amar as mulheres, como elas merecem.
E como nunca foram amadas.
Só isso, definitivamente.
Nada mais,
nada mais!

julho 24, 2007

Simplesmente eu



Sou estrela solitária
Entre tantas estrelas
Sou o brilho de uma delas,
Que não ofusca, nem se apaga...
Sou raio de sol esquecido,
Outrora fogo,
Hoje um brilho esmaecido.
Sou efêmera,
Sou sensível,
Sou fraca,
Sou falível,
Sou eterna
Nas minhas dores...
Sou um tanto de romantismo,
A poesia que restou,
Sou um tanto de melodia
Que doeu no peito
E a rima que não se achou.
Mas!...Assim sou eu!
Sou a onda que se quebra,
Mas volta com insistência,
Num recomeçar incessante!
Sou a espuma branca na areia
Que se desmancha num instante,
Num eterno beijo ofegante,
Sou um coração por inteiro,
Que não se cansa,
Que crê no amor verdadeiro!
Sou aquela que luta,
Que ama e que quer!
Sou quem nunca desiste,
Sou simplesmente
Uma mulher!...

Leticia Thompson

julho 21, 2007

Eu queria trazer-te uns versos lindos, por Mario Quintana


Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
colhidos no mais íntimo de mim...
Suas palavras seriam as mais simples do mundo,
porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para as ouvir...
Sim!
Uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas chinesas de papel!
Trago-te palavras, apenas...
e que estão escritas do lado de fora do papel...
Não sei, eu nunca soube o que dizer-te
e este poema vai morrendo,
ardente e puro,
ao vento da Poesia...
como uma pobre lanterna
que incendiou!