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maio 26, 2007

MARIA DE TODAS AS MARIAS


Será Miriam, será das dores, dos partos, da vida fácil da vida difícil, do dia a dia, dos campos áridos, da terra alheia, será Maria aparecida no rosto da mãe, da companheira, das filhas, será desaparecida na multidão dos desfigurados de uma pátria madrasta.
Será Maria das Madalenas das esquinas e prostíbulos, será Maria mãe solteira, de messias magros crucificados nos próprios ventres maternos, pela fome e pela falta de assistência.
Será Maria todas as meninas nascidas, laçadas pelo descaso do se país, nascidas laçadas pelos pés, pelos pulsos, pelo ventre, vendidas em mercadoria de sexo, barata. Será Maria as meninas das ruas e dos sinais. Da Penha, da Glória, da Assunção, Anunciada, três vezes admirada, explorada, eterna Maria, mãe de tantas mães, filha de tantas filhas.
Jamais serás rainha enquanto tuas filhas são alugadas escravas, jamais serás entronizadas em palácios luxuosos enquanto um só de teus filhos amados, figuras do próprio Jesus, viver ao relento sob as marquises, sujas calçadas urbanas entre dejetos e ratos, jamais te sentirás satisfeita ou venerada enquanto a graça, a grande graça de teu filho não for verdadeiramente espalhada entre os povos, e todos forem tratados como irmãos e irmãs.
Onde está aquela jovem judia, de uma aldeiazinha perdida na poeira dos tempos, que nem nos mapas oficiais aparecia? Aquela menina, herdeira de Rute, Raquel. Rebeca e Sara, que nas veias e artérias corria o sangue quente dos profetas, onde estará/ Onde estará aquela que, desafiando a sociedade opressora da sua época, ousou enfrentar as estruturas patriarcais e assumiu uma gravidez escandalosa? Onde está aquela que diante dos senhores dominadores anunciou a desgraça dos ricos e poderosos?
Temo por ti ó Maria, engessada nesta estruturas eclesiásticas, carregada por mãos e mãos às vezes não tão santas e que por ti fazem "milagres', temo pelas tantas e tantas aparições a multidões desejosas de resolver seus problemas e suas carências pela magia, temo pelo que fazem a ti... , na verdade temo por nós mesmos, rogo pela nossa igreja e pelo nosso país.
Mas, é Maio. Encontro-me entre as trabalhadoras, operárias desempregadas. Entre as mulheres nas longas marchas pela terra. Encontro-me no coração cansado das famílias que só tem a fé para comer e beber e continuar vivendo.
Encontro-me latina, de face morena, nos movimentos dos índios peruanos, dos mexicanos, dos nossos povos da mata. Mas é Maio, e o mês tem teu rosto, tua esperança, tua cor, e teu perfume, teu suor, tem a esperança de esperar um filho, teu filho... .

Um comentário:

Lu@r disse...

Fiquei feliz pela atenção que demonstraste ao meu humilde blog.

Obg :)

Tenho que vir aqui mais vezes pois tens temas bastante interessantes.

Neste post fiquei a conhecer uma mulher fascinante assassinada barbaramente.

São pessoas assim que fazem este mundo melhor.

Deixo um beijo aqui