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agosto 09, 2009

Remetido pela saudade, destinado a solidão, por Lua Durand

O sol queimava a cabeça das pessoas naquela cidadezinha esquecida por Deus. O mesmo sol que por vezes ressecava o coração dela e rachava os lábios de seu pequeno.
Ela, a não sei quanto tempo atrás, que vivera um grande amor, tão curto como o mês de fevereiro, porém tão intenso como o brilho das estrelas que acompanham a lua em noites sem nuvem.
Só se sabe que ele gostava e falava das coisas do mar, e assim como veio se foi. Deixando junto com as juras de amor eterno um endereço borrado num guardanapo de papel e uma semente dentro dela, para florescer na primavera.
A semente virou flor, um lindo menino, com a cor e os olhos do pai. Ela todo mês escrevia cartas para ele e todo dia a tardinha ficava na porta de casa esperando o carteiro passar. E ele sempre passava, por vezes parava, mas nunca era pra ela.
O menino cada vez maior, saudade cada vez maior, lágrimas não tinha mais. O menino levara o nome do pai, apenas o nome, o sobrenome não se sabe onde foi parar.
Todo mês ela ia à velha agência dos correios entregar uma carta, com uma enorme vontade de ir dentro do envelope, junto com o filho, junto com a saudade.
E daquele grande amor, hoje resta uma música, um menino agora homem, e um senhor em algum lugar do mundo que enviava uma carta todo mês para alguém. Mas nunca teve resposta.

-

acaso?

caso.

conto.

contei.

2 comentários:

Rosangela Cunha disse...

Belo texto! Estou correndo atrás do seu banner, tá? Quando conseguir te envio. Beijos!

Rosangela Cunha disse...

Que lindo, você colocou o meu banner no seu blog! AMEI!